Autor: Andre Naves

“Quem vem Lá?”

“Quem vem lá?”. Não se trata de uma simples interrogação de identidade, mas de um profundo questionamento simbólico e filosófico sobre a condição daquele que ousa bater à porta do Templo. É a sentinela da senda iniciática que inquire não apenas o nome, mas a essência, o estado e a bagagem de quem se apresenta.

A resposta, em sua simplicidade, é um diagnóstico do mundo profano: um candidato, um buscador. Mas quem é ele, verdadeiramente? Ele é a matéria-prima da nossa Obra. Ele chega contaminado pelo obscurantismo que cega a razão, pelo fanatismo que incendeia o ódio, pelos preconceitos que erguem muros entre os homens e pelos erros que se perpetuam pela ignorância.

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O Agro além do Mito!

O Brasil, uma nação de dimensões continentais e vocação inegável para a produção de alimentos e energia, encontra-se preso, em seu debate público e político, a uma imagem anacrônica e estigmatizada de um de seus pilares mais robustos: o agronegócio. Essa visão distorcida, muitas vezes alimentada por narrativas simplistas e descoladas da realidade, impede um debate sério e construtivo sobre o futuro do país.

É imperativo que superemos essa percepção há muito ultrapassada, que teima em pintar o setor como um vilão ambiental e social, para entendê-lo como o que realmente é: um projeto de nação, capaz de aliar prosperidade econômica, inclusão social e sustentabilidade ambiental.

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Meu Faraó e Eu

            Dia quente aqui. Um calor abafado, um Sol ardido… Sábado de manhã. 08:00. Difícil caminhar… Vou descendo a Caraíbas… Parece até um deserto. Eu ia usar de um clichê super comum e falar em “deserto escaldante”, mas gato escaldado tem medo de água fria…

            Meu objetivo é claro e conhecido: quero dar uma olhadela no Palmeiras. A Ana Rosa sempre comigo, me dando as mãos para todo tropicão que dou… Sol forte… Atrapalha a vista… Atrapalha as ideias… De repente, trupico em mim mesmo…

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O Termômetro da Desigualdade

Uma sufocante onda de calor se abateu sobre São Paulo e desvelou uma enorme mazela social. Enquanto o asfalto derretia e o ar pesado tornava a respiração um esforço, uma realidade brutal se revelava nos termômetros da cidade: o calor, como tantas outras mazelas, não é democrático.

A temperatura que você sente ao sair de casa em nossa metrópole é, cada vez mais, um reflexo direto do seu CEP e, por consequência, da sua renda.

Estamos vivendo a era da desigualdade climática!

Para entender essa injustiça, basta comparar duas realidades paulistanas. Em bairros nobres e arborizados como Pinheiros, a cobertura vegetal funciona como um ar-condicionado natural. Um estudo do Instituto Pólis aponta que distritos como Pinheiros e Moema possuem mais de 12 m² de área verde por habitante. Durante os picos de calor, seus moradores encontraram refúgio sob árvores frondosas, em parques bem cuidados, com temperaturas mais amenas.

Agora, vamos imaginar uma outra realidade? Para Heliópolis, uma das maiores comunidades de São Paulo, a realidade é outra. A imensa densidade populacional, a escassez de parques e a onipresença de cimento e asfalto — que absorvem e irradiam o calor — criam as chamadas “ilhas de calor”.

A diferença não é pequena!

Medições da ONG MapBiomas e de outras iniciativas de monitoramento climático cidadão atestam que, em dias extremos, a sensação térmica em áreas como Heliópolis pode ser até 10 graus Celsius mais alta que a registrada em Pinheiros.

Essa diferença abissal não é um capricho da natureza. É o resultado de um desenvolvimento urbano historicamente excludente, que concentrou investimentos, infraestrutura verde e qualidade de vida em poucas mãos e poucos bairros, enquanto empurrava a maioria da população para áreas desprovidas de planejamento e dos serviços mais básicos.

O calor extremo em áreas vulneráveis não é apenas desconfortável; ele agrava problemas de saúde, como doenças respiratórias e cardiovasculares, diminui a produtividade no trabalho e na escola e representa um peso econômico para famílias que, sem poder contar com a sombra de uma árvore, se veem obrigadas a consumir mais energia elétrica e água — quando podem pagar por ela.

A pergunta que se impõe é: como quebrar esse cicloo? A resposta tradicional se limitaria a pedir mais investimentos públicos, um caminho necessário, mas frequentemente lento e sujeito às amarras fiscais.

Proponho aqui um caminho que une justiça climática à dignidade econômica: a solução para o calor da periferia passa, fundamentalmente, pelo incentivo ao trabalho e ao empreendedorismo local.

Pode parecer contraintuitivo, mas a lógica é direta. Uma comunidade economicamente forte é uma comunidade com poder de transformação. Quando fomentamos um ambiente de negócios saudável, estamos plantando as sementes da qualificação urbana.

A burocracia excessiva, a complexidade tributária e a falta de acesso a crédito não sufocam apenas o pequeno comerciante ou o prestador de serviços; sufocam a capacidade de uma comunidade inteira de gerar a riqueza que, em parte, poderia e deveria ser reinvestida em seu próprio entorno.

Imagine o potencial de cada novo negócio formalizado em Heliópolis, Cidade Tiradentes ou Brasilândia, entre tantas outras… A riqueza gerada pela padaria da esquina, pela oficina mecânica, pela startup de tecnologia social, seria o motor para a construção de parques, a arborização de calçadas, a criação de “telhados verdes” e outras soluções baseadas na natureza.

Facilitar a vida de quem empreende na periferia não é um favor, é o caminho mais curto para que o asfalto quente dê lugar à sombra de uma árvore. Desburocratizar, simplificar e racionalizar o sistema tributário não são apenas pautas econômicas abstratas; são as ferramentas mais eficazes que temos para combater a desigualdade climática na prática.

Ao empoderar os cidadãos com a capacidade de gerar renda, estamos lhes dando também as ferramentas para redesenhar sua própria realidade urbanística.

A luta por um clima mais justo em São Paulo não será vencida apenas com discursos ou planos diretores que demoram a sair do papel. Ela será vencida com ação concreta, que reconhece que a vitalidade econômica e a sustentabilidade ambiental não são opostas, mas sim interdependentes.

É pela geração de trabalho e pela força do empreendedorismo que as comunidades mais afetadas pelo calor poderão, finalmente, construir um futuro mais fresco e digno.

Um futuro onde o direito a uma brisa não seja um luxo, mas um direito de todos. É hora de manter a esperança acesa, usando-a para iluminar um caminho onde a prosperidade floresce junto com as árvores.

André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social e em Economia Política.
www.andrenaves.com
Instagram: @andrenaves.def

Autismo Visível

Recentemente, a PUCPR publicou um relatório, baseado no Censo de 2022, que deveria nos convidar a uma profunda reflexão coletiva. Saber que aproximadamente 306 mil brasileiros com 60 anos ou mais se autodeclaram no espectro autista é uma forte evidência, com fortes fundamentos demográficos, de um entendimento que a ciência e os movimentos sociais vêm afirmando há anos: o autismo sempre existiu. O que é novo é a nossa capacidade — e dever — de percebê-lo.

Vivemos bombardeados por clichês perigosos e equivocados, que mentem que enfrentamos uma “epidemia” ou “explosão” de casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Essa ideia, no entanto, não encontra amparo em evidências científicas sólidas.

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O V.I.T.R.I.O.L. e a Escada de Jacó: O Sacrifício do Ego como Fundamento dos Direitos Humanos

I. A Câmara de Reflexões e o Convite do V.I.T.R.I.O.L.

Todo maçom iniciado segundo os ditames do Rito Escocês Antigo e Aceito recorda-se vividamente de seus primeiros momentos, quando, ainda no mundo profano, foi conduzido a um lugar austero e despojado de vaidades: a Câmara de Reflexões.

Ali, na presença do crânio, que nos lembra da transitoriedade da vida; do pão e da água, que simbolizam a simplicidade do necessário; e do sal e do enxofre, ecos da tradição alquímica, somos confrontados com a inscrição que define o início da verdadeira senda iniciática: V.I.T.R.I.O.L.

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Inclusão Performática

Vamos imaginar um cena corriqueira? A copa toda moderna de uma empresa de ponta. O perfume do café preenche o ar, enquanto conversas sobre projetos e metas se misturam à música ambiente. Nas paredes, pôsteres coloridos celebram a “diversidade”. Nos perfis de redes sociais da companhia, selos de “great place to work” e fotos de equipes sorridentes e aparentemente plurais. Tudo parece em harmonia com o discurso da inclusão.

No entanto, a realidade é outra por trás dessa fachada. É o processo seletivo que, sob o pretexto de uma meritocracia torpe, perpetua barreiras invisíveis. São as rampas que levam a lugar nenhum… São softwares inacessíveis…

Essa é a inclusão performática: aquela que se contenta com a aparência, mas não mexe na estrutura!

No Brasil, a Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência representou um avanço civilizatório inegável. Contudo, mais de três décadas após sua promulgação, seu cumprimento ainda é visto por muitos como mais um custo burocrático. É só um item a ser “ticado” em uma planilha de RH. Ela persiste não sendo entendida como o que realmente é: um piso mínimo de dignidade e um portal para a inovação.

A pergunta que precisamos fazer não é se as cotas estão sendo preenchidas, mas como. Um trabalhador contratado para ser inutilizado ou subutilizado, para evitar multas, é a evidência de uma sociedade que aprendeu a simular a justiça, mas ainda resiste a praticá-la.

O debate precisa ir muito além dos percentuais. A verdadeira barreira não está na deficiência, mas no capacitismo estrutural que molda nossos ambientes de trabalho, nossas escolas e nossas cidades. Sabe a cultura organizacional que valoriza um único perfil de produtividade, ignorando a riqueza que a diversidade de corpos e mentes pode oferecer?

De qualquer ponto de vista, mas principalmente a partir da economia política, a exclusão é simplesmente uma péssima estratégia. Ambientes verdadeiramente diversos são comprovadamente mais criativos, resilientes e capazes de solucionar problemas complexos. Ignorar talentos por conta de preconceitos não é apenas uma falha ética; é um erro gerencial que gera prejuízos.

Porém, a questão é muito mais profunda que a lógica utilitária. No cerne de tudo, está a dignidade. Está a capacidade de enxergar a potência onde o preconceito só vê a falta. É reconhecer que a experiência de uma pessoa com deficiência não é uma tragédia a ser superada, mas uma perspectiva única e valiosa sobre o mundo. Está em compreender que acessibilidade não é um favor, mas um direito que viabiliza todos os outros.

A inclusão real, portanto, não é um checklist. É um processo contínuo e desconfortável de escuta, de adaptação e de transformação cultural. Começa quando a liderança entende que seu papel não é “ajudar os coitados”, mas remover as barreiras que a própria organização criou. Acontece quando a equipe aprende a colaborar de formas novas e flexíveis. E se consolida quando uma pessoa com deficiência não é apenas contratada, mas ouvida, promovida e vista em sua inteireza humana e profissional.

Precisamos ter coragem para ir além da planilha. Precisamos trocar o silêncio da mesmice pelo som vibrante de ideias diversas, de experiências múltiplas e de talentos plenamente realizados. É preciso “take the risk”!

A verdadeira inclusão não se mede em percentuais, mas na qualidade do encontro humano que ela provoca. E é nesse encontro, e em nenhum outro lugar, que a beleza de um futuro mais justo começa, de fato, a ser enxergada.

André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social – FDUSP. Mestre em Economia Política – PUC/SP. Cientista Político – Hillsdale College. Doutor em Economia – Princeton University. Comendador Cultural. Escritor e Professor.
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Instagram: @andrenaves.def

O Passeio

O Passeio

            Sexta-feira. Calor de dezembro. O Sol já buscava abrigo para deixar a Lua e as estrelas reinarem. Moyse pediu licença para seus amigos e começou a se aprontar. Era um passeio que tinha sido meticulosamente planejado.

Lembrou do que sua avó sempre falava: “Quando o Homem faz planos, D´us ri!”.

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Luzes no Coração de São Paulo

No cotidiano de São Paulo, quando o asfalto pulsa e os arranha-céus arranham o céu (com o perdão do óbvio trocadilho) com uma indiferença quase poética, a luz assume um papel que transcende a mera iluminação. Ela é um convite, uma promessa de Esperança.

No período natalino, essa promessa se materializa no “Natal Iluminado”, um espetáculo que, à primeira vista, parece ser apenas um adorno festivo. Mas, para aqueles que ousam enxergar além daquilo que os olhos vêem, as luzes que adornam o Centro da nossa metrópole revelam muito mais do que a beleza efêmera de uma celebração.

Elas iluminam e são poderosos convites para a redescoberta e a reocupação do nosso coração histórico, indo muito além do apelo estético. O que essas luzes realmente iluminam? A possibilidade de uma cidade mais humana, segura e vibrante.

A segurança pública, em uma metrópole complexa e gigantesca como São Paulo, é frequentemente debatida sob a ótica do policiamento ostensivo ou da vigilância eletrônica. Contudo, a urbanista Jane Jacobs, em sua obra seminal “Morte e Vida das Grandes Cidades”, nos legou uma verdade atemporal: a segurança mais eficaz de uma rua, de um bairro, é garantida pelos “olhos na rua”. Não os olhos frios das câmeras, mas os olhos atentos e curiosos dos seus próprios cidadãos.

O “Natal Iluminado” no Centro de São Paulo é um laboratório vivo dessa teoria. Imagine a cena: o Vale do Anhangabaú, antes um espaço de passagem rápida e, por vezes, de receio, agora resplandece sob uma cascata de luzes. Uma família, com crianças pequenas, passeia tranquilamente, os risos ecoando entre as árvores ornamentadas. Mais adiante, no Viaduto do Chá, um grupo de amigos se detém para tirar selfies, a Catedral da Sé ao fundo, banhada por um brilho festivo. Casais, de mãos dadas, caminham da Praça das Artes, onde talvez assistiram a um concerto gratuito, em direção ao Theatro Municipal, cujas colunas neoclássicas ganham um contorno mágico sob a iluminação especial.

Essas pessoas, em suas atividades de lazer, em sua simples presença e fruição do espaço público, tornam-se guardiãs informais e ativas. A ocupação espontânea e massiva inibe a degradação e a criminalidade. A luz, aqui, não é apenas decorativa; ela é um convite à permanência, e a permanência gera visibilidade. Onde há vida, há olhos; onde há olhos, há segurança. É uma segurança orgânica, nascida da vitalidade urbana, que se contrapõe a modelos baseados unicamente na repressão. A vitalidade é, sem dúvida, a forma mais sustentável de proteção, pois ela não apenas afasta o mal, mas atrai o bem: a cultura, o comércio, a convivência.

A ocupação popular do Centro, catalisada por eventos como o “Natal Iluminado”, não é apenas um fenômeno social; é um motor econômico vibrante e multifacetado. E aqui, é preciso ir além da visão restrita de “empreendedorismo” que se limita a startups e grandes corporações. Estamos falando da economia do encontro, da criatividade que brota do asfalto e da resiliência do pequeno.

Pinte um quadro sensorial: o aroma adocicado da pipoca recém-estourada que se espalha pelas ruas estreitas do Triângulo SP, perto do Mosteiro de São Bento, onde um vendedor ambulante, com seu carrinho iluminado, faz a alegria das crianças. O som melancólico e, ao mesmo tempo, esperançoso do saxofone de um músico de rua no Largo do Paissandu, cujas notas se misturam ao burburinho das conversas e risadas. A visão de um artesão, com suas mãos calejadas, vendendo pequenas peças natalinas na Praça do Patriarca, cada item carregado de história e afeto. E o realejo, então?

Esses microempreendedores, muitas vezes invisíveis no dia a dia, são a linha de frente de uma economia criativa e popular, que encontra no fluxo de pessoas a sua oportunidade de subsistência e expressão. Essa atividade informal, longe de ser um problema, é um termômetro da vitalidade e um complemento essencial ao comércio formal.

O café histórico que estende seu horário de funcionamento, aproveitando o movimento noturno. O restaurante tradicional que vê sua clientela aumentar, com famílias e grupos de amigos buscando uma refeição após o passeio. A livraria que, com a porta aberta, atrai o passante curioso, que talvez nunca tivesse entrado se não fosse o convite da rua iluminada.

Eventos como o “Natal Iluminado” funcionam como um subsídio indireto e inteligente para o pequeno e médio comerciante local, injetando vida e capital em um ecossistema que, de outra forma, poderia definhar.

São Paulo, que recentemente foi celebrada como a “melhor noite do mundo” e é frequentemente lembrada por suas opções gastronômicas, teatrais e de entretenimento, muitas vezes gratuitas ou a preços populares, tem no Centro um protagonista natural para essa cena.

O “Natal Iluminado” no Pátio do Colégio, por exemplo, não é apenas uma atração; é um convite para que o público redescubra a riqueza cultural e histórica do local, gerando um fluxo que beneficia todo o entorno. É a prova de que o Centro pode e deve ser um polo de experiências autênticas e acessíveis, potencializando a criatividade e as inovações, e atraindo um turismo que busca a alma da cidade.

Se os eventos temporários são o convite para a festa, a moradia é o que convence as pessoas a ficarem, a construírem uma vida e a fincarem raízes no local. A transição do efêmero para o permanente é o verdadeiro teste de uma revitalização urbana. E é aqui que o “Natal Iluminado” e outras iniciativas de ocupação do espaço público encontram seu propósito mais profundo: criar um ambiente que torne o Centro um lugar desejável para se viver.

O movimento de retrofit de edifícios icônicos no Centro de São Paulo é uma das mais promissoras frentes de revitalização. Antigos prédios comerciais, muitas vezes vazios ou subutilizados, estão sendo transformados em apartamentos modernos e acessíveis, atraindo uma nova leva de moradores.

No entanto, a viabilidade desses projetos não é apenas arquitetônica ou financeira; ela é, fundamentalmente, social. Ninguém quer morar em um lugar sem vida, por mais belo que seja o apartamento ou atraente o preço. Um centro vibrante, seguro e cheio de opções de lazer e cultura é o principal atrativo para esses novos residentes.

Cria-se, então, um ciclo virtuoso. Um centro que pulsa com a energia de eventos como o “Natal Iluminado”, que oferece segurança pela presença constante de pessoas e que fomenta uma economia diversificada, torna-se um endereço cobiçado. Novos moradores trazem consigo mais “olhos na rua” permanentes, que funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana. Eles demandam mais serviços, mais comércio, mais opções de lazer, consolidando a revitalização de forma estrutural e sustentável.

A janela acesa de um apartamento recém-ocupado é tão importante quanto a árvore de Natal iluminada na praça, pois ambas sinalizam vida, presença e esperança.

O “Natal Iluminado” no Centro de São Paulo, portanto, não é um fim em si mesmo, mas uma ferramenta estratégica, uma semente lançada em solo fértil. Ele é a prova de que a revitalização do coração de São Paulo não será fruto de um único projeto grandioso ou de uma intervenção isolada, mas da soma de milhares de pequenos atos e iniciativas.

É o passo de um pedestre que redescobre uma rua, a nota de um músico que preenche um largo, a porta aberta de um café que acolhe, a janela acesa de um novo morador que escolhe o Centro para chamar de lar.

São Paulo, que já tem sido lembrada por sua efervescência cultural e gastronômica, pode e deve utilizar iniciativas como o “Natal Iluminado” para impulsionar a revitalização do Centro, que já tem acontecido de forma orgânica e por meio de políticas públicas inteligentes. É a retomada do Centro pelo empreendedorismo e pela moradia que pode catapultar a revitalização daquela área, firmando-a, ainda mais, como uma das preciosidades turísticas e culturais do Brasil.

Que as luzes do Natal nos lembrem que a cidade é um organismo vivo, que se transforma e se reconecta através da presença e da interação de seus habitantes. Que elas nos inspirem a manter a iluminação da Esperança sempre acesa, não apenas por um mês, mas por um futuro onde o coração de São Paulo pulse com a vitalidade, a segurança e a humanidade que ele merece.

É a nossa cidade, e é nossa a responsabilidade de iluminar seu caminho.

André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social – FDUSP. Mestre em Economia Política – PUC/SP. Cientista Político – Hillsdale College. Doutor em Economia – Princeton University. Comendador Cultural. Escritor e Professor.
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Dalila e Sansão

            Sentado. Cadeira numerada. Lima. É… Dalila ficou lá… Eu aqui! O show do início ia terminando. A barba coçava. O cabelo incomodava.

Ele pensou na promessa…

Só mais um sacrificiozinho até o Fla ser Tetra! E Dalila, como será que tava? Como ela pôde cometer tanta traição? Jogar fora meu manto da sorte? A camisa com que o maestro Júnior regeu aquela vitória…

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Aos Olhos Meus…

            Dizem que em Portugal, o filme “Psicose” se chama “O Filho que era a Mãe”. Piada de mal gosto, tá na cara. Lá ele se chama “Psico”. Aliás, falando em Hitchcock, o “Festim Diabólico” é uma tradução brasileira muito mais carnavalesca que a portuguesa “Corda”… No original, o filme se chama “Rope”…

            Diriam os italianos, “traduttore, traditore”…

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A Insegurança Aprisiona a Pessoa com Deficiência

Para milhões de brasileiros, a liberdade é uma ilusão! Um sempre festejado Direito Humano que se esvai diante da realidade brutal da insegurança. Mas para um segmento da nossa sociedade – as pessoas com deficiência –, essa privação é ainda mais severa. Para elas, a verdadeira prisão é a do medo. É o pavor de sair de casa, de ser abordado, de ser vítima da violência!

Isso acaba que as condena a um cárcere domiciliar, privando-as de tratamentos essenciais, da convivência comunitária e, em última instância, da própria vida. Essa realidade não é apenas uma violência individual; é uma chaga purulenta de uma doença social mais profunda, que desnuda os alicerces corroídos da nossa Civilidade e da nossa Humanidade.

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O Custo da Exclusão

No debate público brasileiro, estamos acostumados a ouvir que nossa contabilidade não fecha. Nela, direitos são tratados como “custos” e políticas de inclusão como “gastos”. Mas essa planilha está invertida. Caro, de verdade, é o preço que pagamos, como Nação, pela exclusão e pelo capacitismo.

O capacitismo — a discriminação estrutural contra pessoas com deficiência — não é apenas uma violação de direitos humanos; é uma masmorra que prende o nosso desenvolvimento. A pergunta correta, portanto, não é “quanto custa incluir?”, mas sim “quanto o Brasil perde, todos os dias, por insistir em excluir?”.

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É preciso Sonhar!

Minha vida é tipo um relógio. Sabe desses, de ponteiro, já precisando de corda? Devagar… Quase parando… Contam que lá em Konigsberg a turma acertava o relógio pela rotina do Kant. Se algum incauto quiser acertar os ponteiros de acordo com a minha rotina vai dar com os burros n´água, né?

Não que eu não goste dela. Pelo contrário! Aprecio muito a segurança, a previsibilidade e o conforto de um dia-a-dia certo. Eu até faço agenda. Marco tudo certinho nela. Faço planos. Mas é como dizem, né? Quando fazemos planos, D´us ri!

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COP 30 – JUSTIÇA CLIMÁTICA E AS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Foi dada a largada para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Belém, no coração da Amazônia, está recebendo líderes mundiais, cientistas e ativistas para debater o futuro do planeta. É momento de esperança, dizem os otimistas. De última chance, gritam os desesperados.

Mas há uma voz que permanece invisível nas pautas oficiais, nas agendas diplomáticas, nos comunicados memoráveis: a voz das pessoas com deficiência. Essa ausência não é acidental. É estrutural. É capacitismo climático — a negligência sistemática de uma perspectiva que, justamente, sofre desproporcionalmente com o que todos fingem discutir.

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Anjos! Anjos!

Dia desses eu tava no metrô. Linha verde. Indo pra Defensoria. Eu adoro andar de metrô: prefiro me deslocar nele que em carros. Vou vendo o povo. É ali, entre as pessoas, que a vida acontece de verdade. Sem filtros. Sem roteiros. Só gente sendo gente.

É lá que minha forma de enxergar a gente brasileira mudou. Já faz mais de 20 anos… Quase 30… Meu acidente tinha pouco mais de 1 ano. Estação da Sé lotada. 18:00. Lata de sardinha. Eu mal conseguia me mexer. De repente, uma mão desconhecida… “Vem comigo!” Ela me colocou sentadinho dentro do vagão e sumiu.

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O Mistério de Loew

Loew…

Mistério…

Lembram de quando eu contei dos domingos lá na vó Tereza? Aquele perfume de molho de tomate misturado com frango, junto com uma sinfonia de sons dispersos e misturados, que iam do tema da vitória do Senna, passando pelo lá-lá-lá do Sílvio, até a voz do Lombardi na Semana do Presidente?

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O Brasil Sangra

Brasil: um país em que a Esperança é o último refúgio e nunca morre. Apesar disso, a fé na justiça se desmonta cotidianamente em um violento jogo. A vala fria da desesperança sempre nos aguarda, como um abismo que desconcerta e atrai.

Os eventos que mancharam de sangue as comunidades do Rio de Janeiro, deixando um rastro de mortos que choca e entorpece a alma, não são apenas estatísticas frias de um confronto. São chagas de uma falha profunda, sistêmica, que se repete dolorosamente em nosso tecido social. E o mais cruel é perceber que, em meio a essa tragédia, muitos, com a melhor das intenções, acabam por celebrar a barbárie.

Há uma falácia perigosa que se alastra, como erva daninha no terreno fértil da indignação. A ilusão de que operações policiais desastradas, mal planejadas e focadas unicamente em “subir o morro” para um embate direto, resolverão o intrincado problema da criminalidade. É a crença ingênua, porém devastadora, de que a violência estatal, exercida de forma bruta e desmedida, é a resposta definitiva.

Esse é o ponto onde a boa intenção se desvia do caminho, pavimentando a estrada para o inferno da chacina, do extermínio, da injustiça. As ruas clamam por segurança, os corações clamam por paz, mas a forma como buscamos essa paz define se a encontraremos ou se afundaremos ainda mais no caos e na lama sangrenta.

Não se trata de negar a necessidade da presença do Estado, nem de romantizar a criminalidade. Longe disso. O Estado precisa e deve estar presente em cada recanto do território brasileiro, especialmente nas comunidades mais excluídas, nas periferias esquecidas, nos bolsões de vulnerabilidade. A questão fundamental é: como o Estado chega? Quando a única face que se mostra é a do fuzil, a do caveirão, a da bala perdida e da vida massacrada, o que se constrói não é segurança, mas sim um ciclo vicioso de dor, vingança e deslegitimação de qualquer autoridade. O Estado, ao chegar apenas com a violência, fecha os olhos para o problema maior, para a raiz do mal que aniquila a nossa sociedade.

É preciso ter a coragem de olhar para o espelho da realidade e questionar: onde está, de fato, a criminalidade que verdadeiramente desestabiliza o país, que corrompe as instituições e que tece a teia da impunidade? Não, ela não está predominantemente nas vielas estreitas das favelas, nos barracos humildes onde a vida pulsa com sacrifício e resistência. As lideranças do crime, do crime organizado em sua essência mais perversa, não se escondem nos becos da miséria, nas biqueiras sujas. Elas habitam os bairros nobres, os grandes centros financeiros das cidades, os suntuosos palácios políticos, as altas esferas do poder econômico.

Os exemplos são eloquentes e se erguem como monumentos à nossa cegueira coletiva. Lembremos da maior operação de apreensão de fuzis já realizada no Rio de Janeiro. Aconteceu onde? No asfalto, no Condomínio Vivendas da Barra. Foi uma operação de inteligência, meticulosamente planejada, que resultou na apreensão de um arsenal sem que uma única vida fosse perdida, sem que um único tiro fosse disparado. Contrastemos isso com a brutalidade das chacinas nas comunidades, onde dezenas de vidas são perdidas em embates sangrentos, gerando luto e revolta, mas raramente desmantelando as verdadeiras estruturas do crime.

Ou ainda, os quarenta bilhões de reais das organizações criminosas que foram descobertos e bloqueados em operações focadas em seguir o dinheiro, em desmantelar a lavagem e a corrupção em alta escala. Não na favela, mas nos centros financeiros, nos esconderijos de luxo que abrigam os verdadeiros operadores do crime.

Percebam que uma série de leis e políticas são, por vezes, elaboradas não para combater o crime, mas para acobertá-lo, para expandir o sentimento de impunidade, para proteger interesses escusos. É nesse emaranhado de interesses que a verdadeira batalha contra o crime deve ser travada, com inteligência, estratégia e um compromisso inabalável com a ética e a legalidade.

A matemática da barbárie é cruel e implacável. Alguém realmente acredita que a criminalidade será enfrentada, de forma eficaz e duradoura, com extermínios em massa? A tragédia dos cento e vinte e cinco que, miseravelmente, faleceram ontem, já tem seu triste epílogo. Essas vidas, por mais que lamentemos sua perda, já foram substituídas pelas engrenagens frias e implacáveis do tráfico de drogas e do crime organizado. A lógica perversa do crime não para. Ela se realimenta da miséria, da exclusão, da ausência do Estado. Para cada vida destruída na favela, há outras cem esperando a oportunidade para serem cooptadas por um sistema que se aproveita da desesperança.

O verdadeiro combate à criminalidade passa por desatar esses complexos nós. É preciso seguir o dinheiro, as rotas do armamento, as redes de corrupção que permitem a existência e a expansão dessas organizações criminosas. É preciso uma inteligência de Estado robusta, despolitizada, apartidária, que trabalhe em conjunto, articulando as forças de segurança de todos os entes federativos — Estados e governo federal — em uma estratégia coesa e de longo prazo.

Mas, acima de tudo, o Estado precisa chegar nas comunidades com a sua face mais humana, mais essencial: a da Cidadania. É lá, onde a ausência do Estado é mais sentida, que ele precisa se manifestar com serviços públicos de qualidade. Educação que abre portas para o futuro, saúde que cuida da vida, saneamento básico que garante dignidade, coleta de lixo e zeladoria que demonstram respeito, cultura que enriquece a alma, oportunidades de trabalho que resgatam a esperança.

É nesse solo fértil de direitos que se planta a verdadeira segurança. É lá que se constrói uma barreira intransponível contra a coação do crime.

Os Direitos Humanos não são um obstáculo ao combate à criminalidade; são a bússola que nos impede de nos perdermos na escuridão da violência. Direitos Humanos de verdade significam que a vida importa, que a justiça importa, que a dignidade de cada indivíduo importa, independentemente de sua origem, cor ou condição social. Significa que o Estado tem o dever de proteger seus cidadãos, e não de exterminá-los em operações desastradas.

É tempo de olharmos para onde o crime realmente está e levarmos, sim, condições de vida para a favela, para as comunidades. Condições de vida, não condições de morte. Condições de florescer, não de definhar. A criminalidade será enfrentada não com extermínio, mas com a construção incansável de uma sociedade mais justa, mais igualitária e, sobretudo, mais humana. O grito que ecoa das comunidades não é um pedido de trégua, mas um clamor por uma vida digna, por um Estado presente, protetor e que garanta a todos o direito fundamental de existir.

André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais, Inclusão Social – FDUSP. Mestre em Economia Política – PUC/SP. Cientista Político – Hillsdale College. Doutor em Economia – Princeton University. Comendador Cultural. Escritor e Professor.
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Meu Amigo Golem

Hoje acordei… Dia chuvoso, sabe? É o cinza que desperta o ouro das saudades… Uma lembrança, será que não seria fantástica? Nunca saberemos…

Eu, brincando no meu quartinho da bagunça, lá em Jacareí, encontrei um tipo de bilhete, numa linguagem que eu não entendia. Parecia carcomido pelas traças, cheio de poeira, teia de aranha. Acho que foi isso que me pegou.

É que eu tinha acabado de ver o filme do Simbad! Lá pelas tantas dele, tinha se encontrado com um alquimista, feiticeiro. Era minha brincadeira favorita: alquimista!

Sabe, me imaginar de túnica escura, chapéu pontudo, com tubos de ensaio cheios de líquidos coloridos e fumegantes, fazendo as mais diferentes experiências… Aquilo era quase doce de leite com paçoca!

Um pergaminho da antiguidade todo indecifrável! Embaixo das letras indecifráveis, um desenho: um gigante com cara de poucos amigos e um alquimista sábio – ele tinha roupão escuro de feiticeiro, mas o chapéu era diferente… Devia ser de uma outra ordem de magia…

Logo embaixo 3 palavras enigmáticas – GOLEM – PRAGA – LOEW. Talvez é a cura pr´uma doença, pensei… Será que a doença é Golem? E Lowel? O médico? O feiticeiro? O sábio? O que seria? Não pensei duas vezes… Tomei o tesouro na mão, e meio que em pose de quem vai lançar feitiço falei umas palavras aleatórias: ABRACADABRA!

 De repente, igualzinho rodamoinho de Saci, tudo começou a rodar, a ventar… E eu ali. Sem varinha, sem chapéu, sem nada… E a calma reinou. E quando tudo assentou era o gigante ali. Ele e o alquimista. Bravo. Ralhou comigo. Eu não entendia uma palavra, mas a reclamação não se perde na tradução… Queria voltar pro desenho, parece…

Sorri pro gigante. Ele nem se deu conta. Acho que é tímido, feito eu…

Mostrei meus brinquedos pr´eles. Pros dois. O sábio olhou tudo, examinou direitinho. Parecia estar buscando uma pista, uma saída, um amuleto. Um entendimento!  O gigante, nada. Parecia que nem era com ele. Daí olhei bem pros dois. Quem não tem palavra, tem olhar… E sorri.

Sentei. Meio desconfiado, o mágico sentou. Ele resmungou e o gigante também. Daí pedi pra ver aquele chapéu. Ele sorriu e deu um tapa na minha mão. Devia ser coisa séria. Pela primeira vez o gigante me notou.

Sabe o mais legal? Vocês não vão acreditar! A gente pegou uns brinquedos, uns bonequinhos GI Joe que eu tinha, e começou a brincar. Cada um do seu jeito. Eu, com minhas palavras. O sábio, com as dele. O gigante, sem nenhuma… Foi brincadeira pra mais de metro que a gente fez junto.

Depois, outra ventania… Acho que o saci também queria brincar, mas quando tudo se acalmou eles não tavam mais lá…

Só sei que, pra mim, ficou um amigo feito de silêncio e barro, um sábio curioso, e um quarto que, por um momento, virou passagem.

E “Loew”? O que será “Loew”? Nem sei pronunciar isso… Talvez, quem dá vida ao barro. Talvez quem acende o que estava apagado. Ou só um segredo que o chapéu guardou e que o gigante preferiu não contar.

O que será Loew? … 😉

André Naves
Defensor Público Federal. Especialista em Direitos Humanos e Sociais e Inclusão Social. Comendador Cultural. Escritor e Professor.
www.andrenaves.com | Instagram: @andrenaves.def

O Centro de São Paulo e a Diversidade

Há um ativo pelas ruas do centro de São Paulo — curiosamente, num entendimento mais desatento, esse ativo mais parece uma desvantagem. É que a desigualdade social brasileira se manifesta ali, cruenta e trágica: a miséria convive lado a lado com empreendimentos vibrantes e maravilhosos. Pessoas em situação de rua dividem espaço com galerias de arte, ateliês criadores, iniciativas culturais que pulsam com vida e propósito. Lojas de luxo e cortiços. Restaurantes sofisticados e vendedores ambulantes. Escritórios corporativos e ocupações de sem-teto.

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