Soberania, Desenvolvimento e Geopolítica

Soberania, Desenvolvimento e Geopolítica

Não é raro que o debate público brasileiro reduza o agronegócio a uma disputa entre o rural e o urbano, como se aquele representasse um setor arcaico, sem tecnologia nem empregos e destruidor do meio-ambiente. Essa visão, contudo, é perigosamente enganosa.

Ao olharmos para o cenário global — marcado por tensões bélicas, insegurança alimentar e a urgência climática —, torna-se evidente que o agronegócio brasileiro não é apenas um setor de exportação de comodities; é um argumento central da nossa estratégia soberana e a ferramenta mais potente de nossa geopolítica.

A verdadeira independência de uma nação é construída pela sua capacidade de garantir a dignidade de seu povo e a estabilidade de seus parceiros. Nesse sentido, o Brasil ocupa uma posição singular. Não somos apenas o “celeiro do mundo” por vocação geográfica, mas por competência tecnológica e científica. A nossa produção de alimentos é o lastro que garante a segurança alimentar planetária.

Num mundo onde a fome volta a ser uma arma de guerra, a capacidade brasileira de produzir em escala, com regularidade e qualidade, transforma-se em “soft power” diplomático.

Somos, em última análise, embaixadores da paz social em diversas nações que dependem do nosso campo.

Mas a importância estratégica vai além da porteira. O agronegócio moderno é um complexo industrial sofisticado que impulsiona a produção de insumos, fomenta a biotecnologia e ancora a reindustrialização do país em bases modernas. É um erro crasso dissociar o agro da indústria; eles são elos da mesma corrente de desenvolvimento.

Ainda além, é na transição energética que nossa vantagem geopolítica se torna avassaladora. Enquanto potências globais lutam para descarbonizar suas matrizes a custos proibitivos, o agro brasileiro já nos oferece a solução: biocombustíveis, biomassa e uma agricultura regenerativa que sequestra carbono.

O mundo busca a “economia verde”; o Brasil já a pratica em seus canaviais e florestas plantadas. Isso nos coloca não como coadjuvantes pedindo licença em conferências climáticas, mas como protagonistas que detêm a tecnologia da sobrevivência ambiental.

Falar em preservação ambiental, aliás, exige honestidade intelectual. A tecnologia tropical desenvolvida aqui permitiu que poupássemos milhões de hectares de vegetação nativa através do aumento de produtividade vertical. O agro sério, legalista e tecnológico é o maior interessado na preservação, pois entende que seu maior ativo é o capital natural.

Portanto, fortalecer o agronegócio é uma política de Estado para a soberania nacional. É ele que garante as divisas que permitem ao Estado financiar políticas públicas de inclusão social e infraestrutura. É ele que nos dá voz ativa no cenário internacional.

O Brasil não precisa escolher entre ser uma potência agrícola ou uma nação ambientalmente responsável e industrializada. Nós somos a síntese dessas potencialidades. Reconhecer a centralidade do agronegócio na nossa estratégia geopolítica é o primeiro passo para deixarmos de ser o país do futuro e assumirmos, finalmente, nossa cadeira na liderança do presente.

André Naves Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, Mestre em Economia Política e Doutor em Economia.

Não é raro que o debate público brasileiro reduza o agronegócio a uma disputa entre o rural e o urbano, como se aquele representasse um setor arcaico, sem tecnologia nem empregos e destruidor do meio-ambiente. Essa visão, contudo, é perigosamente enganosa.

Ao olharmos para o cenário global — marcado por tensões bélicas, insegurança alimentar e a urgência climática —, torna-se evidente que o agronegócio brasileiro não é apenas um setor de exportação de commodities; é um argumento central da nossa estratégia soberana e a ferramenta mais potente de nossa geopolítica.

A verdadeira independência de uma nação é construída pela sua capacidade de garantir a dignidade de seu povo e a estabilidade de seus parceiros. Nesse sentido, o Brasil ocupa uma posição singular. Não somos apenas o “celeiro do mundo” por vocação geográfica, mas por competência tecnológica e científica. A nossa produção de alimentos é o lastro que garante a segurança alimentar planetária.

Num mundo onde a fome volta a ser uma arma de guerra, a capacidade brasileira de produzir em escala, com regularidade e qualidade, transforma-se em “soft power” diplomático.

Somos, em última análise, embaixadores da paz social em diversas nações que dependem do nosso campo.

Mas a importância estratégica vai além da porteira. O agronegócio moderno é um complexo industrial sofisticado que impulsiona a produção de insumos, fomenta a biotecnologia e ancora a reindustrialização do país em bases modernas. É um erro crasso dissociar o agro da indústria; eles são elos da mesma corrente de desenvolvimento.

Ainda além, é na transição energética que nossa vantagem geopolítica se torna avassaladora. Enquanto potências globais lutam para descarbonizar suas matrizes a custos proibitivos, o agro brasileiro já nos oferece a solução: biocombustíveis, biomassa e uma agricultura regenerativa que sequestra carbono.

O mundo busca a “economia verde”; o Brasil já a pratica em seus canaviais e florestas plantadas. Isso nos coloca não como coadjuvantes pedindo licença em conferências climáticas, mas como protagonistas que detêm a tecnologia da sobrevivência ambiental.

Falar em preservação ambiental, aliás, exige honestidade intelectual. A tecnologia tropical desenvolvida aqui permitiu que poupássemos milhões de hectares de vegetação nativa através do aumento de produtividade vertical. O agro sério, legalista e tecnológico é o maior interessado na preservação, pois entende que seu maior ativo é o capital natural.

Portanto, fortalecer o agronegócio é uma política de Estado para a soberania nacional. É ele que garante as divisas que permitem ao Estado financiar políticas públicas de inclusão social e infraestrutura. É ele que nos dá voz ativa no cenário internacional.

O Brasil não precisa escolher entre ser uma potência agrícola ou uma nação ambientalmente responsável e industrializada. Nós somos a síntese dessas potencialidades. Reconhecer a centralidade do agronegócio na nossa estratégia geopolítica é o primeiro passo para deixarmos de ser o país do futuro e assumirmos, finalmente, nossa cadeira na liderança do presente.

André Naves Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos e Inclusão Social, Mestre em Economia Política e Doutor em Economia.

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