A Reconstrução do Brasil.

A Reconstrução do Brasil.

“Tem que bater, tem que matar, engrossa a gritaria
Filha do medo, a raiva é mãe da covardia”

Caravanas – Chico Buarque

Agiganta-se o sentimento autoritário como um verme bem nutrido pelos miasmas odientos vertidos dos cidadãos iludidos, amedrontados e desorientados num labirinto de golpe e violência. Esse verme, criado e alimentado pela covardia do “cidadão de bem”, terminará por devorá-lo quando seus limites, já flagrantemente fragilizados, forem terminantemente rompidos.

Pode-se ver a serpente do autoritarismo crescendo num ovo cada vez mais quebradiço. Ao fim do rompimento desta casca, a serpente estará livre para picar toda a população, começando pelos descalços… 

Superando as metáforas, somos obrigados a reconhecer que as Instituições estruturadas pelo nosso sistema de garantias legais estão em franca decadência. O Estado Democrático de Direito brasileiro, a duras penas construído na Constituição Democrática de 1988, está agonizando enquanto símbolos e atitudes completamente estranhos e disformes se tornam cada vez mais frequentes.

A Democracia, os Direitos Humanos, a Justiça Social, foram alçados à condição estrutural do Estado brasileiro pela Constituição. Qualquer ameaça a esses valores é, então, uma afronta à Nação ou ao País. Mas essas estruturas sociais (Democracia, Direitos Humanos, Justiça Social) são dinâmicas, e nunca estáticas: o mandamento constitucional é pelo seu aprofundamento e pela sua ampliação. Ora, sem Justiça Social em aprofundamento, não é lícito falar em Brasil. A lógica, no tocante à Democracia e aos Direitos Humanos é rigorosamente a mesma.

Lamentavelmente, nos últimos tempos, uma crescente autoritária vem dominando o Brasil: ameaças de transferência de presos são somente um aspecto dessa erosão institucional: ameaças de deportação, ataques aos meios de comunicação, invasão de reuniões político-partidárias e sindicais, censura velada ou explícita às expressões culturais e científicas…

O autoritarismo, a arbitrariedade e a violência não são banais: eles devem ser combatidos, em suas pequenas erupções diárias, pela Luta Popular Democrática, pela rua, pelo povo, que denunciando o retrocesso nacional, exige a reconstrução de um país baseado nos valores da Democracia, dos Direitos Humanos, e, acima de tudo, da Justiça Social: sabedor de que caminhar do lado democrático-popular já é a maior vitória, ele exige a reconstrução do Brasil!

P.S.: Trabalhar é construir, sustentavelmente, riquezas. Isso é, trabalhar é gerar frutos socialmente justos e ambientalmente adequados. O resto é exploração, destruição, precarização: tem gente que nunca trabalhou desdenhando, no twitter, o trabalho alheio. 

A eles, meu conselho: revejam seus conceitos.

Andre Naves

Defensor Público Federal, Professor, Escritor e Palestrante interessado na ampliação e concretização dos Direitos Humanos, pela Cultura, Literatura e Arte.

ENTRE EM CONTATO: