Autor: Andre Naves

Maria da Conceição Tavares – a Guerreira da Inclusão Social

A professora Maria da Conceição Tavares foi uma das maiores lutadoras em favor da Inclusão Social no Brasil. A Inclusão Social refere-se àqueles grupos populacionais excluídos, ou precariamente incluídos, na sociedade. Ou seja, as características individuais (renda, origem social, classe social, orientação sexual, raça, deficiência…) das pessoas integrantes dessas coletividades, quando em interação com as estruturas sociais excludentes (barreiras), geram a chamada exclusão social, isto é, o alijamento dessas individualidades do seio social.

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O Nome: Moisés

            Moisés era O Nome! É!

            Era no tempo das calças curtas, quando as lembranças ganham o manto amarelado da névoa de ouro. Eu mal tinha saído da casca do ovo… Acho que fraldas ainda me acompanhavam.

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A Guerra do Hamas contra Israel. E as Pessoas com Deficiência?

A Inclusão Social não tem ideologia. A Humanidade não tem cores políticas. Infelizmente, muitos têm sido os inescrupulosos que instrumentalizam o sofrimento humano em favor de suas ideias, preferências e preconceitos. De maneira lamentável, a violência e o autoritarismo vêm ganhando terreno e inviabilizando o diálogo e a tolerância. É uma espiral nefasta que produz exclusão, barreiras e ira.

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Entrevista dada ao Boletim DPU

Há quanto tempo está na DPU e por que motivo escolheu a instituição para trabalhar?

Tomei posse em 2010. Sou do 4 concurso (“141 corações”), mas a Defensoria Pública da União já corre em minhas veias desde o longínquo ano de 2001.

Eu estava na faculdade quando li, em um pequeno jornal jurídico, sobre essa nova instituição e seu primeiro concurso.

Era uma época de muita dificuldade para mim, mas, como dizem, as dificuldades são do mesmo tamanho que as facilidades… As pedras em nosso caminho são ferramentas para a evolução social.

O que eu quero dizer com isso?

É que entre tantos dramas pessoais, tantas dores, sofrimento, uma nova forma de encarar o Direito foi crescendo em minh´alma…

Foi como um ferro em brasa que marca a boiada…

Na mesma época eu tinha um professor de Seguridade Social (aspectos constitucionais de Direitos Humanos que moldam a Previdência e a Assistência Social) que me marcou profundamente ao mostrar que as Artes eram o calor da Lei…

Entendemos melhor a questão agrária depois de ler “Morte e Vida Severina”. A questão urbana, “O Cortiço”. A importância amazônica, ouvindo “A Floresta do Amazonas” de Villa Lobos. As possibilidades são infinitas!

Ir ao Teatro Oficina, por exemplo, é uma aula de Teoria Social do Direito! Evoé!

Qual instituição trabalha com a Previdência e com a Assistência? Qual instituição busca promover os Direitos Humanos? Qual instituição busca orientar a construção de estruturas sociais sustentáveis, inclusivas e justas?

No ano de 2001 ela vinha desabrochando, tal qual rosa vermelha…

Em meio a tantas dores e delícias, portanto, a DPU ficou marcada desde então em minha essência!

Vê alguma relação do trabalho no dia a dia da instituição com o conteúdo do livro, uma vez que diz que a proteção social é o caminho para a emancipação pessoal e coletiva?

Total! Eu conto em várias passagens do livro, inclusive.

Estou muito longe de ser um defensor tecnicamente ótimo. Entretanto, eu sei que cada assistido é uma pessoa que merece ser tratada com toda a dignidade possível. Esse é, muitas vezes, o meu papel.

A gente sabe das injustiças de cada dia… A gente sabe como o povo é flagelado cotidianamente. A gente vê as lágrimas e o desespero…

É nessas horas que o trabalho do defensor vai além da pureza jurídica: vai até se lambuzar com a Esperança. Não a Esperança da espera, mas aquela de Paulo Freire, o ato do Esperançar.

E o que é isso senão a emancipação cidadã de cada pessoa? É dar dignidade a cada indivíduo, realçando sua individualidade (identidade, diversidade, pluralidade…), para que a coletividade, emancipada, possa estruturar a sociedade em bases justas.

A individualidade é um traço intrínseco à natureza humana, refletindo nossa essência única e singular. Nossa identidade é formada pela combinação daquilo que trazemos de inato com as experiências vivenciadas ao longo da vida, além dos contextos sociais em que estamos inseridos.

É fato que as influências do meio em que crescemos moldam parte de nossa personalidade e preferências. Se nascemos em uma família corintiana, inserida numa comunidade majoritariamente corintiana, por exemplo, a tendência é que nos identifiquemos com o time e compartilhemos dos mesmos interesses esportivos.

Esse mesmo fenômeno se estende para outras características e traços de personalidade, onde a comunidade desempenha um papel crucial na construção da identidade individual.

Contudo, quando a coletividade, por meio de mensagens consumistas e materialistas, impõe padrões sem uma reflexão crítica individual, ocorre o contágio pelo egoísmo. O indivíduo se torna absorvido por um modo de pensar e agir que prioriza o “eu” em detrimento do “nós”. A busca incessante por bens materiais e a satisfação pessoal acima de tudo leva a uma padronização de comportamentos, gostos e atitudes. A individualidade se perde no meio desse individualismo exacerbado.

A partir do momento em que a individualidade é corrompida pelo egoísmo individualista, a diversidade e a pluralidade se tornam estranhos e, em alguns casos, hostis. A busca por semelhanças gera uma sociedade que se alinha a uma única forma de pensar, agir e desejar.

Em outras palavras, há uma padronização de vocabulário, ideias, ações e preferências estéticas. Todos gostam das mesmas coisas, desejam os mesmos objetos, fazem as mesmas viagens, tiram as mesmas fotos…

Esse processo resulta em estruturas excludentes e preconceituosas, uma vez que qualquer coisa que se desvie, é vista como fora do padrão e, por consequência, alvo de julgamento e rejeição. O preconceito floresce em terrenos onde a diversidade é sufocada.

Por outro lado, ele definha com a concretização dos Direitos Humanos, encarados como todos aqueles decorrentes da Vida, entendida como a plenitude das condições existenciais da pessoa; da Liberdade, entendida como a possibilidade de cada indivíduo ser, e se portar, segundo seus desígnios; Igualdade, entendida como equivalência concreta de condições de emancipação humana; Propriedade, entendida como possibilidade de se assegurar, e desenvolver, tudo aquilo que é próprio ao ser humano; e Segurança, que vai muito além do combate à violência, materializando-se como a oportunidade de satisfação das necessidades existenciais humanas (segurança alimentar, segurança sanitária, segurança educacional…).

Uma sociedade verdadeiramente sustentável é aquela que reconhece e valoriza a diversidade, que protege e fortalece os direitos humanos de todas as pessoas, independentemente de sua origem, etnia, gênero ou crença. Somente através de uma sociedade inclusiva e justa poderemos construir um futuro melhor, livre dos grilhões do ódio e da violência.

A Proteção Social é isso.

Como foi o processo de escrita? No livro, há contribuição daqueles que o ajudaram na recuperação após o acidente?

Como posso explicar? Sabe o jiló? Ele é amargo, mas delicioso! Escrever foi como comer petiscos de jiló tomando cachaça. Cada nova memória doía, queimava, era amarga… Cada reflexão era deliciosa, gostosa, de um prazer único.

Sabe como se fala orgasmo em francês? É “la petit mort”. Literalmente, a pequena morte. É uma visão extremamente poética daquele que é o prazer humano supremo. Todo dia eu escrevia um trechinho… Todo dia, uma nova “petit mort”…

Então, como vocês já devem ter desconfiado, escrever foi um fogo que arde sem se ver, para citar Camões.

E nesse mesmo sentido, tão paradoxal e antitético, escrever foi um ato de extrema solidão coletiva. Eu adentrava sozinho no brejo das lembranças, e saía de lá com as rosas que toda a coletividade plantou no meu Caminho…

A ajuda foi essa. Se não fosse por essa existência coletiva, eu nunca teria chegado até aqui. Eu jamais teria percorrido esse Caminho…

No texto, o Sr. fala em processo de superação depois o acidente aos 19 anos. Poderia nos contar como foi, principalmente em termos de superação?

Foi horrível!

Tanta dor, tanta humilhação, tanta lágrima…

Mas como diz Carla Madeira, tudo é rio. Tudo passa. Cartola diz uma coisa parecida quando canta que o Sol nascerá.

As terapias, os tratamentos, as lutas foram intensas. Na verdade, ainda são…

Mas, pensando bem, sabe a Luz que ofusca nossos olhos quando saímos da caverna? Ela cega, ela machuca, mas depois, ela ilumina o nosso Caminho…

A vida é isso, né? Eu enfrentei os meus obstáculos, nem maiores nem menores de que os de todos… Só diferentes…

Acho que eu tava zonzo de tanta Luz… Agora, já tô me acostumando…

Há também referência a um novo olhar diante da vida. Sobre isso, quais foram as principais mudanças?

Enxergar é perceber, com a alma, a maravilhosa essência que existe em cada ser humano.

Enxergar é a Beleza! Cada ser humano é único em suas notas… E a Humanidade é isso: é música, é poesia!

A Beleza é ser o protagonista desse espetáculo chamado Vida!

E mais.

Beleza é ser um protagonista que traz todos da plateia para o centro do palco. Isso é emancipar, dar dignidade, promover Direitos Humanos.

O Sr. fala em destinar a renda para instituições que promovem inclusão social. Se achar interessante falar quais são e por que foram escolhidas.

Eu escrevi esse livro para inspirar as pessoas a se envolverem com a cultura de Doar.

ENVOLVER!

Eu quero que cada leitor encontre uma instituição para chamar de sua, para que seu suor se misture à argamassa da construção social.

Claro que eu sugiro diversas instituições.

São para essas que eu doarei:

Chaverim (www.chaverim.org.br) – Inclusive, todas as ilustrações do livro foram elaboradas pelos “chanichim” (“afilhados” – assistidos) do Chaverim;

Turma do Jiló (https://grupotj.org/wp-content/cache/all/index.html);

Projeto Renascer (https://www.facebook.com/BATUIRAAMPARAASGESTANTESDEJACAREI/);

Vibrar com Parkinson (https://vibrarcomparkinson.com.br/).

Além do lançamento virtual do livro, há previsão de lançar de outra forma (presencial)?

Previsão, não… Mas quem sabe?

Há projetos para publicar outras obras?

Há sim. A temática, acredito, será a mesma: a grande sinfonia humana, que toca até o descer das cortinas! Gente é poesia que deve ser cantada!

Nos finalmente, agradeço demais as perguntas e convido a todos a visitarem meu site (www.andrenaves.com) e meu Instagram (@andrenaves.def).

Lá vão brotando as novidades…

Agora que dei uma entrevista para o Boletim DPU, como diriam meus estagiários, zerei a vida!

Calamidade e Solidariedade

O sentimento de Solidariedade, isto é, a percepção de pertencimento à grande família humana que nos torna, em nosso conjunto, sólidos, ou um todo único, é um sentimento inato a todos os seres humanos, pelo simples fato de serem humanos. É daí que decorrem nossos valores éticos, os direitos humanos, o pendor democrático e o respeito à dignidade humana. Em outras palavras, poderíamos repetir inspirados em Kant que a pessoa humana é digna por ser uma finalidade em si mesma.

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Le Chaim

            Sucesso como sempre! Aplausos!

Daniel Baremboim, o encantador dos pianos, tinha feito mais uma de suas mágicas! Tocar o “Rach 3” não é pra qualquer um… Ainda mais com tanta emoção, esperança…

Sabe quando a gente ouve até a poesia do piano? Parece até que ele está conversando, falando… “Shalom”…

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Homenagem às Mães!

            Hoje não há nomes nem lágrimas! Todas merecem a homenagem das rosas… Será que elas mesmas não são suaves como o perfume das pétalas, mas obstinadas como os espinhos? Que bom seria um mundo livre de barreiras, obstáculos, exclusões: que agradável seria o mundo se fora o colo de uma mãe!

            Sabe a mãe pelicano que, na imagem, rasga o próprio peito para dar de comer aos filhotes? A mãe nunca sente o sacrifício imposto para o desenvolvimento da autonomia e da individualidade dos seus… São almas enobrecidas pela bondade e pela dureza: são torres de sabedoria!

            Os exemplos valem mais do que as palavras, e elas agem, criam, choram e sorriem!

            Claro que há exceções… Para tudo há… Mas para que sujar esse texto com tantas marcas fúnebres e tenebrosas? Melhor falar da luta e não do luto. O sorriso nasce da ternura, ainda que os obstáculos sejam gigantescos.

            Eu fico até sem palavras para tentar homenageá-las. A preciosidade de seus gestos representa a mais límpida claridade da Luz: as barreiras existem para serem destruídas! Nenhum filho ficará para trás, no que depender de sua mãe.

            Mãe Gentil!

            Quero enaltecer uma mãe em especial, e junto com ela, elevar um altar para todas! Vou contar uma história que traz a imagem de como as mães são a personificação da Disciplina, da Perseverança e da Alteridade!

            Naquele tempo eu havia acabado de me formar. Minha recuperação, ainda como nos dias de hoje, ainda não é completa… Na verdade, nunca será!

            A falta de trabalho me incomodava… Não que eu fosse um desocupado, pelo contrário! Já às seis eu costumava despertar para iniciar minhas atividades terapêuticas. Às dez, já arrumado, começava minha rotina de estudos. Às vinte, eu dava, com minha mãe, uma caminhada noturna.

            Entretanto, ainda que as terapias físicas e mentais se mostrassem valiosíssimas para meu desenvolvimento pessoal, e meus estudos fossem o sacrifício a ser feito para adentrar na senda da Defensoria Pública, eu ainda me sentia um inútil e sem valor.

            Eu estava construindo um bom caminho, que me trouxe até aqui e agora. Na época, no entanto, eu não tinha essa percepção… O desespero tomava conta de mim, assim com uma erva daninha, quando não retirada a tempo, prejudica os campos produtivos.

            É por isso que sempre gosto de reafirmar minha religiosidade! Foi para lá que eu corri nesse tempo sombrio, e é lá que eu descobri o conforto e os valores necessários para aproveitar melhor essa época atual, de Luzes e Perfumes.

            Mas voltando ao tempo em que só a Lua alumiava meu congá, a vergonha da inutilidade aparente me dominava. Gosto muito de nadar, mas acostumei-me a fazer isso isolado, quando não há ninguém mais vendo. Talvez seja resquício desse tempo…

            As cicatrizes, e tenho diversas, psicológicas são mais reais que as físicas, ainda que muito menos visíveis…

            Por isso, naquele tempo, eu acordava com o canto do galo, e, após um café bem preto, eu me aquecia e já ia nadar. Não importava Sol, chuva ou temperatura… Eu estava lá, não por apenas divertimento, mas para me preparar para os próximos passos em meu caminho.

            Após um dia intenso de estudos preparatórios, por volta das 8 da noite, minha mãe e nosso cachorro me chamavam para uma caminhada. Eu precisava relaxar, mas também reaprender a caminhar e treinar minha marcha, além de conversar.

            Naquelas caminhadas, eu arrastava, e ainda arrasto, meu pé, tropeçando nos pequenos montinhos pela trilha… Nessas horas minha mãe falava para mim, num carinho enérgico: “A ponta do pé tem de ir para a ponta do nariz”!

            Era uma maneira de me lembrar dos detalhes para que meu caminho fosse mais produtivo e proveitoso… Os pequenos detalhes que, de tão importantes, acabam por se tornar os principais.

            Foram tempos de solidão, em que eu, sem perceber, me isolava cada vez mais. Parecia que eu havia construído um casulo para me refugiar de tudo e de todos… Mas dentro de mim, fervilhavam reflexões e ponderações…

            Busquei ser útil em locais em que eu poderia fazer a diferença, sem, claro, descuidar da minha preparação… Asilos, organizações religiosas e políticas, além de várias iniciativas de assistência social.

            O mundo precisava de refresco, e eu queria ser parte da solução, e não do problema. Não era me fechando em minha caverna interior, num individualismo exagerado que beirava o egoísmo, que a vida melhoraria.

            Pelo contrário! É na construção de estruturas sociais justas, fundadas nos sólidos valores éticos transmitidos pelas palavras, pelo trabalho e pelo exemplo de meus rochedos primordiais que teremos, todos, uma vida mais iluminada!

            Agora, aqui, escrevendo essas linhas numa tarde banhada pelo Sol, consigo perceber com maior nitidez que tudo pelo que passei, as trevas mais profundas causadas pelo isolamento e pelo desespero, foram ladrilhos necessários para que meu caminho ficasse ainda mais belo.

            Ainda hoje ainda ouço minha mãe nas nossas caminhadas noturnas me alertando que os detalhes também são essenciais. Que nossos objetivos são construídos pelo esforço constante e consciente…

            “Na ponta do nariz”

André Naves

Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos, Inclusão Social e Economia Política. Escritor e Comendador Cultural. Conselheiro do grupo Chaverim. Embaixador do Instituto FEFIG. Amigo da Turma do Jiló. Membro do comitê de inclusão do LIDE.

Vovó Telê

            Prestidigitação… Ilusionismo… Sabe o mágico de circo? Enquanto todo mundo tá lá vidrado na minissaia da ajudante, ele vai lá e pimba! Tira o coelho da cartola. A gente sempre fica com uma pulga atrás da orelha tentando descobrir o truque…

            SEMPRE!

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Tragédia Climática e Exclusão Social

A atual crise climática que assola o Rio Grande do Sul e suas áreas circundantes não pode ser vista como um evento isolado, mas sim como um sintoma de um problema maior: o desregulamento climático decorrente das estruturas produtivistas que privilegiam o consumismo, o imediatismo e o hedonismo em detrimento da harmonia com a natureza e da justiça social.

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Metalinguagem

            Meu desejo sempre foi traduzir a sabedoria ancestral dos gigantes de outrora em fantasias, sonhos e memórias. Algo como Carlos Gomes fez quando musicou o espetáculo do nascimento de um novo dia em sua Alvorada… Como traduzir em música o levantar do Astro Rei?

            Como explicar o lirismo e o sabor do sentir em palavras? Como iluminar a ignorância do desconhecido? A racionalidade busca lógicas para justificar os desejos mais essenciais, mas as emoções acabam sendo as regentes do nosso comportamento.

            Será que Champollion teria decifrado a pedra da Rosetta sem saborear o espírito egípcio? Eu não tenho essa resposta. Pra ser sincero, prefiro nem ter… O fato é que ele decifrou a alva chave para traduzir aqueles hieróglifos e banhá-los com as Luzes da Ilustração…

            No entanto, assim como uma simples pedra marcada pode gerar tamanha iluminação, novos conhecimentos são sementes poéticas para toda a Humanidade: Razão e Emoção num abraço fraternal na jornada em busca da Verdade.

            Por vezes, somos afogados nas águas violentas da tormenta. O mundo, tão cru e bárbaro, sempre me lembra que nem sempre o sonho é uma trilha aceitável. Que covardia é essa, para que eu me esconda numa poética alienante?

            É nessas horas que eu subo nos ombros dos gigantes. É de lá que eu vejo mais longe… Mas não adianta subir até as estrelas se eu não entrar nas cavernas do meu coração…

            É lá que eu encontro as ferrugens, mas também ferramentas para a construção constante do caminho que leva às luzes da Sabedoria!

É lá que eu encontro a pedra e a chave para traduzir a alma popular!

AM ISRAEL CHAI!

André Naves

Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos, Inclusão Social e Economia Política. Escritor e Comendador Cultural. Conselheiro do grupo Chaverim.

Stranieri Ovunque, Estrangeiros em todo lugar!

A 60ª Bienal de Artes de Veneza, sob a curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, trouxe à tona não apenas uma exibição de obras de arte, mas também uma profunda reflexão sobre a condição humana, destacada pelo lema “Stranieri Ovunque” – estrangeiros em todo lugar. Este lema ressoa como um lembrete poderoso de que todos nós, em algum momento de nossas vidas, nos tornamos estrangeiros, seja em relação a um lugar, a uma cultura ou até mesmo a nós mesmos.

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Ophicleide

        Hoje em dia é muito fácil. É só a gente entrar no Google que as respostas vêm, como formigas comendo restos. Na minha época tudo era diferente… Melhor, diriam os saudosistas…

            Tinha a Barsa, a Mirador, a Larousse… Até o Manual do Escoteiro Mirim eu tinha! Pra quem gosta de passado, amarelo como ouro, tudo é motivo de lembrança! As memórias são rios que passam, mas nos deixam felizes e molhados.

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A Importância do Decreto Nº 68415/2024 do Estado de São Paulo na Garantia da Inclusão Escolar

O Decreto Nº 68415/2024, recentemente promulgado pelo Estado de São Paulo, representa um marco jurídico de extrema relevância ao estabelecer a presença de atendentes pessoais nas unidades escolares da rede estadual de ensino. Tal medida, longe de ser apenas uma formalidade normativa, ressalta a necessidade premente de materialização dos princípios inclusivos presentes no Protocolo de Nova Iorque sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e na Lei Brasileira de Inclusão.

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Mana…

– Alô, Mana… Oi…

– Oi! Como vai?

– Muitíssimo obrigado por me atender.

– Para! É um prazer atender, ainda mais quando é artista…

– Artista? Eu nem saí da casca do ovo ainda… Estou na Faculdade de Direito… Minha vida é outra…

– Artista sim. Daqui uns anos amadurece essa fruta. Aliás, por qual porta você entrou nas Arcadas? Você nunca escreveu nada? Pintou? Desenhou? Interpretou?

– Como você sabe disso?

– Ele me contou… Na verdade nem sei se foi Ele, Ela ou uma Poesia…

– Quem?

– Ele. O Altíssimo. O Criador. O Grande Arquiteto do Universo.

– Como assim?

– Vamos deixar simples? Foi um Sabiá que me contou. Só que esse aí lembrava muito o Rebe…

– Lubavitch?????

– Era meio uma mistura dele com o Frei Damião… Estou confusa… Já faz tempo que vim pra cá. Amanhã eu volto.

– Como cê sabe?

– Sabe a Irmã Dulce? Ela me contou…

– Mana do céu! Eu nem conhecia esse seu lado…

– Que lado?

– Religioso. Nunca imaginei…

– Nem eu… Na verdade eu sempre fui, mas não tenho religião. Acho que continuo assim. Quando você voltar vai entender.

– Voltar?

– É… Uns 45 dias…

– Ué… Não tô entendendo!

– O Tempo é diferente. Uma vez o Raoni me contou a história de um curumim doido para pegar o saci. Ele jogava a peneira naquele redemoinho de vento e poeira, mas nunca acertava. O vento dançava, desenhava com a terra… Pegar o saci era impossível! O curumim se mordia de inveja… Queria morar no vento igual o saci! Entender o tempo é igual a caçar saci: não dá!

– Ou dá… Com a peneira do lirismo… O Aldir fala disso!

– Artista, não falei? Quer teimar com o Sabe Tudo? Ele apareceu para você também?

– O Rebe?

– O Aldir…

– Não. É que lembrei de uma música dele. As memórias sempre pegam a gente de calça curta… Marejam os olhos, dão nó nos gargomilo, encantam a alma… Mas, Mana… Você me falou de voltar…

– Então ele ainda vai aparecer e te explicar tudo. O que eu sei é que os médicos falaram para meus pais que eu ia embora, mas eles se esqueceram do imponderável. Sabe a música do Chico? Então, tô voltando… Vou voltar para a minha Pasárgada… Nessa hora os médicos devem estar com sua mãe…

– E aí?

– Vão falar que você nunca mais voltará para o colo do lar. Mas você voltará. Depois, falarão que a paralisia vai fazer acampamento no seu corpo… Nada. Depois, ainda, vão falar que os passos nunca mais estariam com você. Bobagem! Por fim, que as trevas dominariam seus olhos… Engano…

– Então eles são errados?

– Claro que não! Mas o milagre é um monumento que serve pra gente lembrar que não é o Sabe Tudo. HU-MIL-DA-DE!

– Então eu vou voltar? Igual a você?

– Isso! Não é bem igual, né… Cada um tem sua vida né? Seu caminho… Eu volto e vou reciclar… Mudar é a joia humana! Vou ensinar quem não pode essa preciosidade!

– Ele também muda sempre?

– Nada é mais precioso que Ele! É uma metamorfose ambulante, diria Raul…

– E eu?

– Ele vai te contar melhor, ainda… O que sei é que você volta! Com certeza! No fim, quem faz sua trilha é você. Ele sempre fala que as bençãos são como a chuva: descem para todo mundo. Mas também são igual uma plantação de goiaba: só cultivando, cuidando, servido, as bençãos perfumam e dão doce!

– O Rebe gostava de goiaba?

– Não sei. Devia gostar! É goiaba, né…

– Mas ele falava isso?

– Claro que não! Mas a sabedoria é tipo uma joia: a gente tem de fazer de acordo com o barro do mundo. Se não, ela voa como o álcool evaporando… Num segundinho, nem cheiro dela…

– Então, a gente se esbarra por lá…

– Lembre-se disso: ARTISTA!

– Artista?

– Tchau!

André Naves

Defensor Público Federal, especialista em Direitos Humanos, Inclusão Social e Economia Política. Escritor e Comendador Cultural.

Fígaro!!!

            Flanar me faz muito bem. Caminhar assim, sem rumo, vendo as pessoas e paisagens, sentindo o Sol e o vento… As delícias do ar um pouquinho refrescante pela manhã, os cachorros conduzindo os donos, tudo é matéria-prima para minhas letras, para o meu dia e para a minha alma…

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Cores da Esperança

            O que são as Artes? Desconfio que ninguém seja capaz de defini-las, até mesmo porque essa seria uma definição tão absurda quanto inútil. O ser humano pensa, imagina, sonha… Por isso faz Arte!

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Senhor Brasil

            Chora viola!

            Lenta e calmamente anuncia o causo que se avizinha…

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O Acorde

            Tem modas que matam. Elas sujam de sangue quem as empunha e quem delas é vítima. Modismos, caprichos: o recheio de gente vazia… Esses que parecem um pastel de vento, que jogaram no lixo o pensamento… Avacalharam o estudo!

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Senta no Próprio Rabo!

        Tem gente que senta no rabo pra falar do rabicó! Sabe esse povo que só vê problema nos outros? Sartre, irônico e casmurro, aspirando seu Gitanes, diria que “o inferno são os outros”…

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Oriente

            Os reis magos, sábios, vieram do Oriente. Dizem que eram astrólogos… Enxergavam o saber das estrelas… Elas indicavam os caminhos que eles deveriam trilhar. Existe um certo preconceito com a astrologia que eu nunca entendi… Vou ser bem sincero!

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